A mãe da minha avó era a Vovó Totonha. Ela morreu quando eu tinha 7 anos e lembro de uma velhinha bem velhinha que morava numa casa com quintal familiar. A lenda dizia que vovó Totonha era descendente de um Barão. Casou-se com um grande amor e viveu em estado de felicidade por muitos e muitos anos. Quando jovem, meu bisavô saía para trabalhar muito cedo. Antes disso, enrolava a esposa nos longos cabelos dela e a carregava, adormecida, até a casa da mãe.
Um dia sonhei com ela. Havia uma festa em sua casa, onde estavam presentes muitas pessoas, algumas eu conhecia, outras não. Vovó Totonha estava lá, velha, linda e muito iluminada. Coloquei os trisnetos no colo dela. Havia outras crianças na casa em ambiente de paz. Acordei repleta de felicidade e liguei para minha mãe e avó para dividir. As duas me falaram que vovó Totonha era pessoa que gostava da cantar, de contar piadas e viveu uma vida longa e boa. A despeito do meu cartesianismo e para mais do que compartilharmos o mesmo DNA mitocondral, senti que ela nos protege, em um plano além da minha vã filosofia.
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segunda-feira, 22 de novembro de 2010
sábado, 20 de novembro de 2010
Mãe solteira
Em setembro de 2010, o pai das crianças e eu nos separamos. Foi um casamento lindo e profícuo que durou 12 anos e acabou virando uma parceria bem bacana para cuidar e educar os filhos.
Separar é uma merda. Pior é brigar as mesmas brigas eternamente. Os desafios imediatos são não traumatizar a criançada, uma de 3 e outra de 1 ano com questões que dizem respeito aos adultos e reconfigurar a idéia de família.
Explicamos que agora tem a casa do papai e a casa da mamãe mas que os dois estarão sempre perto e disponíveis para os filhos. E é o que tem acontecido.
A guarda ficou comigo mas é exercida de forma compartilhada. O pai é generoso com a pensão e ajuda quando eu preciso viajar a trabalho. Eu não sou chata implicante com o movimento natural dele de buscar se acasalar novamente.
Falando assim, separação parece rosas. Não é. Todos ficamos mais pobres. A convivência das crianças com o pai diminuiu. Eu fiquei sobrecarregada e é difícil para mim equacionar a vida de solteira e as obrigações de mãe: acordar cedo, cuidar e educar de perto, trabalhar e gerir a casa sozinha. Mas compensa.
É a primeira vez na vida que eu me viro sozinha. Sempre fui a pessoa de referência do domicílio (segundo critérios do IBGE) mas agora é diferente. A responsa é toda minha, para bem e para mal.
Que venha o futuro!
Separar é uma merda. Pior é brigar as mesmas brigas eternamente. Os desafios imediatos são não traumatizar a criançada, uma de 3 e outra de 1 ano com questões que dizem respeito aos adultos e reconfigurar a idéia de família.
Explicamos que agora tem a casa do papai e a casa da mamãe mas que os dois estarão sempre perto e disponíveis para os filhos. E é o que tem acontecido.
A guarda ficou comigo mas é exercida de forma compartilhada. O pai é generoso com a pensão e ajuda quando eu preciso viajar a trabalho. Eu não sou chata implicante com o movimento natural dele de buscar se acasalar novamente.
Falando assim, separação parece rosas. Não é. Todos ficamos mais pobres. A convivência das crianças com o pai diminuiu. Eu fiquei sobrecarregada e é difícil para mim equacionar a vida de solteira e as obrigações de mãe: acordar cedo, cuidar e educar de perto, trabalhar e gerir a casa sozinha. Mas compensa.
É a primeira vez na vida que eu me viro sozinha. Sempre fui a pessoa de referência do domicílio (segundo critérios do IBGE) mas agora é diferente. A responsa é toda minha, para bem e para mal.
Que venha o futuro!
sábado, 3 de julho de 2010
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