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domingo, 24 de janeiro de 2021

Us Bicho

 

Começou com o quintal. Primeiro vieram os filhotes humanos, depois os filhotes cachorros e gatos. Um casal de irmãos de cada espécie. A princípio, t2odos estranharam a casa nova, mas em pouco tempo aprenderam a diferença entre dentro e fora de casa, os horários da comida, as regras básicas de higiene e comportamento.

Milady, Lotus, sato e Mig são os nomes dos bichos. Mas assim como tem lei que não pega, o nome deles não pegou. No dia a dia são us Gato e us Cachorro. Quando a informação precisa ser mais específica: o preto, o branco , o cinza, sendo "o" considerado gênero neutro no dialeto. Para chamar  usamos "Catchorros!" e eles vem, abanando o rabo ou "Gatiinhos!" e somos ignorados, exceto quando enchendo o prato deles.

A convivência gerou hábitos caninos nos gatos e caninos nos cachorros. Os gatos vão na porta receber quem chega e os cachorros ficaram menos abrutalhados. Comum aos quatro é a disputa de forças: volta e meia rolando pelo chão, dentes no pescoço, cara, orelha, pata, rabo. Só que a disputa começou a acontecer entre gatos e cachorros. A primeira vista, é aterrorizante ver a cabeça do gato dentro da boca do cachorro. Mas os dois parecem estar gostando, rabinhos em festa

sexta-feira, 17 de julho de 2020

Os pirralhos


Pirralho é o que chegou por último. Já que tinha um monte de gente antes, o pirralho tem que  observar para aprender alguma coisa. Antes de ir fazendo coisas estúpidas e perigosas por aí. Porque esse é o pirralho sem noção.

Antigamente, eu andava com bandos de crianças e a gente combinava os codinomes. O mais velho era o Pirralho 1. Tem gente que tem preconceito com o termo. Acha que é pejorativo. Eu não. Pirralho é o precavido que sabe que não sabe de nada e tem uma vantagem em relação ao que acha que sabe de tudo.

Ontem recebi um whastapp assinado como Pirralhos 1 e 2.


domingo, 14 de junho de 2020

A necessidade é a mãe da experiência


Explicava como fazer o sanduíche com o que tinha na geladeira e a Bebel me interrompeu:

- Obrigada mamãe. Nós não saberíamos fazer um sanduíche sem as suas tão detalhadas instruções.

domingo, 10 de maio de 2020

Aniversário

Hoje ela vira adolescente. Maior do que eu, toda maturidade e timidez.

Me ensina um monte de coisas, a falar mais baixo, a ser mais disciplinada. Sabe ser sarcástica, tem senso de humor e alguma sabedoria. Do jeito que eu ensinei, melhorada. A gente ri junto, na maioria das vezes.

Tem muito a aprender, mas já veio com mais do que eu tenho para ensinar.

Feliz Dia das Mães


Domingo a tarde, Bebel quentava o sol de inverno. Cheguei perto, encostei e fui ficando até que ela: “Já deu, né?” Eu; “Só mais um pouquinho. Presente de dia das mães”. “Então tá, vai”

quarta-feira, 29 de abril de 2020

Casos de Restaurante Popular


Sou usuária de Restaurante Popular. Fui com as crianças por necessidade e por vontade. Quem não foi, vá. Para experimentar uma política pública de segurança alimentar que dá certo. Para comer com trabalhadores e estudantes uniformizados, com famílias, idosos, com os ambulantes e a população de rua. A refeição sai a  R$3. 

Comecei a trabalhar lá antes da pandemia e não parou pois são serviços essenciais. Com a Covid-19 muita coisa mudou. Esses casos são de quando as pessoas almoçavam no salão, antes das medidas de isolamento social

Ele tinha a aparência de mendigo de longa data. Ria sozinho a cada colherada que punha na boca.

O casal era da quarta idade. A primeira vez que vi, tomei um susto. Eles dividiam uma bandeja. Avisei a supervisora: “É caso da assistência social?”. Ela riu: “Olha lá”. O casal separou a comida de cada um nas cubas em 2 porções  almoçaram num papo antigo. Um dia eles pediram duas bandejas e toda a equipe ficou atenta. Os dois almoçaram calados, emburrados um com o outro.

Os jovens chegam com o seus parangolés: sacos de doces, pipocas, salgadinhos para vender. O assunto na fila: “tal produto tem mais saída que tal”, “linha do ônibus tal é melhor que a outra”, “ o melhor horário para cada produto”. Gente de negócio.


sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

A Alga satisfeira

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Férias na praia com criança. A meta era virar alga de 1 bilhão de anos. Sol, mar, poucas ondas. Bom para fazer fotossíntese. De vez em quando: “ploc”, soltava uma molécula de oxigênio, de pura satisfação. As crianças vieram junto. Eram as algas brotamento. Cumprimentamos nossos primos algas, musgos e peixes. Demos um alô para as plantas terrestres. Achamos exoesqueleto e devolvemos para o mar, para que o molusco que a perdeu. “Ploc”. Ficamos olhando os primatas barulhentos que estavam na praia. A última vez que estivemos por ali, algumas centenas de anos atrás, eles eram em menos barulhentos. “Ploc, ploc”. Com o tempo, as algas brotamento ficaram entediadas e fomos para uma praia mais agitada. Mar bravo, ondas pesadas. Algas de um bilhão de anos preferem praia mansa. Mas não tem nada nesse mundo que a gente não saiba demais. De repente: “Ploc”, uma alga brotamento fez sua primeira fotossíntese. Satisfeita. 

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Aconteceu hoje



- Mamãe, se vc pudesse escolher viver para sempre ou viajar no tempo, qual ia ser?"

- Se vc pudesse manter a sua consciência, qual corpo vc ia escolher? Um milho humanóide ou um espantalho que não fica grudado? 

- O que vc acha do K-Pop? 

quarta-feira, 12 de junho de 2019

A matemática dos pragmáticos

Os dois problematizando o para-casa.

Filho 1:
- Olha só a pergunta: O menino tem 530 figurinhas. Comprou mais 280.  Maior acumulador

Filho 2:
- Olha aqui. O desse problema aqui comprou um suco de $20. Mamãe nunca ia deixar.

Hora do almoço

Bebel que puxou o assunto:
- Mamãe, porque que a gente não tem uma conversa normal na hora do almoço?
Estranhei:
- A gente sempre tem conversa normal, uai
-Tem nada, na casa dos meus colegas as pessoas conversam sobre a escola, sobre o trabalho
- A gente também.
-  A gente não.
Nisso os dois concordavam, que o nosso assunto era outro. Bebel continuou:
- A gente fala de filosofia, política, da luta de classes, de como destruir o patriarcado.
- E de mais comida. completou João
Pois é.

domingo, 21 de abril de 2019

O rebelde e a bolha



Era um sábado de sol e estava prestes a começar um teatro infantil no parque municipal. As cadeiras ainda estavam vazias e a hora de começar a peça estava chegando. Foi quando eu vi a Bolha. Os dentro da bolha era o grupo a que eu pertencia,  pessoas que foram no parque assistir a peça e os organizadores do evento. Ocupávamos as cadeiras, tranquilos, brancos e sorridentes. Os fora da bolha eram as famílias que foram no parque passear e deram com o evento. Escutavam o convite, iam lá para ver mas passavam direto orientando as crianças para não irem, que devia pagar, que ali não era o lugar deles. 

Várias famílias pobres, pretas e pardas passaram e não entraram, mesmo as cadeiras estando vazias, mesmo as crianças pedindo, mesmo convidadas pela caixa de som. Repelidas pela Bolha, antiga e invisível.

Mas o mendigo não. Maltrapilho, nenhum dente na boca, cheiro peculiar, a cara era mistura de cachaça, transtorno mental e criança que vai no circo. Bateu palma, riu, recebeu bandeirinha e torceu para a Chuva, um dos pretendente da princesa, por quem ela era apaixonada.

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Como ser menos chata

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O programa começou errado na saída. Depois de abastecer $20. o cartão, única forma de pagamento disponível, não passou. Bebel, do meu lado, não era com ela. João dormia no banco de trás. Do lado de fora, sol rachando e 30 minutos para chegar no compromisso. Eu tinha certeza que tinha saldo, mas a Caixa Econômica Federal demorou mais de 30 minutos para identificar a transação entre duas contas de mesmo cpf. O frentista, o mesmo que me atende semanalmente (e está acostumado a me ver pingar mixaria de gasolina no tanque ) bateu o martelo: “não posso fazer nada. Estaciona ali e conversa com a gerência”. Nos minutos seguintes, fui ignorada por alguém em uma janelinha na tentativa de fazer uma transferência bancária para o posto. Pedi o frentista que me atende toda semana para passar o cartão mais uma vez. A transação foi aprovada e fui embora. Whitepeopleproblem, tudo bem. Mas valeu a aula que eu ganhei depois.

Entrei no carro bufando e subi Bahia soltando cobras e lagartos até Bebel dar o limite: “Olha, o banco e o posto estava errados, mas vc estava errada também”. O que vc acha de andar por aí sem nem um tostão no bolso? Continuou ela: “agora que resolveu, vc está xingando por causa de que? ”

- “porque eu passei de caloteira na frente de vcs”. Até eu achei o argumento ridículo. Tão ridículo que João riu no banco de trás: “ Esse não está na sua lista de defeitos”

Bebel continuou. O frentista é um babaca porque parecia que estava gostando, mesmo com aquela cara de “coitada, só estou cumprindo ordens. “Só que”, ponderou Bebel, “ele estava fazendo o trabalho dele. Nem mais, nem menos. E vc devia era parar de reclamar”. Recolhi miudinha.


Chegando no compromisso, faltando 5 minutos, João abre a porta do carro sem olhar e bate no carro que passava na hora. Desce um cara, olha o estrago na lataria, me olha: “ Deu nada não, dona”. João, o escoteiro: “Deu sim, Olha aí!” Deu mesmo. E foi feio. Nisso, a esposa sai do carro : “pois é, olha o prejuízo, acontece mesmo, eu tbm tenho filhos, olha que perigo, , menino é %@#$ mesmo”. Eu nem tinha argumento, mas ela viu  minha cara de: “filhos tbm? Sabe como é. Olha aí. Monte de conta e esse prejuízo aí. Graças a Deus o pirralho está inteiro”. Fato é que em vez de me cobrar uma pequena fortuna de lanternagem, ela entendeu e relevou. Porque existe gente assim. 


Depois que o casal foi embora, dei a lição (mais aliviada do que com raiva, mas fiz cara de intimidadora): “atenção para abrir a porta do carro. Em algum universo paralelo, o outro carro levou a porta e um pedaço do João e o que a gente não está aqui de boas” Isso tudo antes do compromisso, que, afinal de contas a gente chegou no horário. 

No caminho, com bom humor e certo sarcasmo, Bebel : “chorando DE novo, mamãe?

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Sobre a maternidade: "Eu só sei que nada sei"



Eu nunca pegava em filho dos outros. Acho respeitoso manter distância. Até para prevenir a reprovação quando o bebê alheio chorasse no meu colo.

Eu virei mãe de duas crianças. Uma tinha dois anos e outra menos de um quando separei. O pai nunca atrasou a pensão via os filhos em finais de semana alternados. A visita era livre. Esse foi o contexto. Sem dramas. 

A primeira coisa é gostar de ser mãe. Admiro e entendo quem assume que não quer. Tenho pena da família em que a maternidade é sentida como chata, insuportável. São compreensíveis as mulheres que falam que amam os filhos mas não gostam de ser mães. É um trabalho do caramba. “Filhos, melhor não tê-los, mas se não os temos, como sabe-los?” Eu gosto . Isso é característica, não é vantagem.

Fato é que fui mãe solo, com todas as adversidades previstas. Sabe aquela conversa de que a maternidade atrasa a vida profissional? Verdade. Como dar aulas à noite todos os dias em outra cidade quando meus bebês estavam com uma pessoa com princípios totalmente diferentes dos meus?. Encontrei-me na Educação á distância, onde podia fazer tudo ao mesmo tempo, com a desvantagem de ganhar um terço.

Quando as crianças estavam na beira da adolescência, perguntei o que elas achavam da educação que tinham que tinham recebido até então; “É que você nunca tratou como se a gente fosse retardado”. Fiquei lisonjeada. “É que você não fazia para a gente o que a gente conseguia fazer sozinho”. Pensei: “nem dava, o trampo era tanto...”. Ela continuou: “você entregava a colher e falava: ‘se vira aí.’, o que é muito melhor do que dar na boca. É como se você ensinasse a gente a ser independente.” Logo eu, tão gauche na vida.

Eduquei para a autonomia. Falei cem, mil, milhões de vezes para que arrumassem as próprias coisas, cuidassem dos estudos, da higiene pessoal. Aguentei pacientemente (outras nem tanto)  pitis do tipo “eu quero tudo do meu jeito agora” até o dia em que aprendeu-se que aquele comportamento não ia ser reforçado. Doutrinei iluminismo cotidianamente, dando informações e opiniões, batendo papo, porque a vida é passeio e nós, bichos naturalmente curiosos e gregários
.
As pessoas próximas me acham em ligeira des-sintonia com o mundo, para bem e para mal. Talvez eu seja otimista demais, desligada demais, ansiosa de menos. Característica, com vantagens e desvantagens. Talvez isso influencie no quanto eu acredito na competência das crianças para se virarem. Eu dou corda e eles vão. Meu papel é me tornar desnecessária o mais rápido possível. É ensinar a andar na rua, depositar e sacar dinheiro, fazer compras, pagar boletos, essas coisas que a vida adulta exige, quer a gente queira, quer não. Eles gostam de aprender. Ajuda e entender o mundo. Nada tão ridículo quanto marmanjinho sendo levado pela mão, avoado do que se passa ao redor.

O Lobo Mau existe e tem várias peles. É o psicopata, o pedófilo, o assaltante, quem é propenso a relacionamentos abusivos, a pessoa violenta, extremista, explosiva, a louca alucinada, a parasita sanguessuga, a invejosa destruidora de reputações, a chata passivo-agressiva... Protege ensinar a identificar predadores, saber como agir quando ele já nos viu e a gente não, não ser o idiota que se separa rapidamente do seu dinheiro, não se colocar em riscos e a prevê-los.

A diferença entre o veneno e o remédio é a dose. Como não deixar a criança ansiosa e amedrontada com tanta informação? Como dar a informação na medida certa para que ela caminhe com liberdade e responsabilidade? Estou aprendendo até hoje.



[i] Barão vermelho- Porque que a gente é assim?
[ii] Vinícius de Moraes. Poema Enjoadinho
[iii] Fernando Pessoa. Poema em linha reta

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Calmaê, mamãe.

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O final de semana foi na roça, em casa com janela da cozinha com vista para a serra. João acordou no horário dele e foi tomar café. Preparou sua comida e sentou para comer, tranquilão e contemplativo. Nisso entro eu, frenética com os preparativos para aproveitar o dia ao máximo: "Vai escovar dente, pentear o cabelo,deixa eu passar o protetor em vc, cadê seu chinelo e sua camisa?". 


João me olhou, disse. "calmaê" e deu uma aula sobre quietude interior.

sábado, 17 de novembro de 2018

Tempo mano velho

1

Eu estou saindo da idade reprodutiva e Bebel entrando. João no meio. Nisso, nasceu-lhe um fio de bigode pioneiro. Junto, o movimento dele para ter um pedaço de vida longe de mim e da irmã.

Mas sem perder a ternura.A fonte do videogame queimou. João, emocionado:
"Ele é como um irmão para mim"

2

Estava chovendo, perdemos a hora e eu acabei apelando com todo mundo. Na volta, pedi desculpas. Bebel:
- Aposto que você ficou pensando nisso a manhã inteira e brigando com você mesma, não foi?
Tive que rir: "Foi".
-Boba...


segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Olha quem está falando!

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A gente nunca acha que vai acontecer, mas acontece. Os primeiros hormônios das crianças tem o poder de transmutar a mãe em monstro, em mico, em gralha, em corvo. É horrível, mas dependendo da hora, pode ser até engraçado.

Para lidar com crianças, em especial pré-adolescentes, há que endurecer sem perder a ternura. Munida de saco gigante de  paciência, vou minando a resistência raivosa contra as coisas cotidianas: trocar de roupa, ficar limpo, arrumar a cozinha, a cama...O saco tem que ser uma cornucópia....

E tem as mudanças de humor. Eu lembro das minhas próprias, nas mesma idade e sou empática. Som e fúria significando nada. Acho que não tem receita além de não levar pro lado pessoal (perdoai, nossa senhora. eles não sabem o que fazem...) e dar colo quando a tempestade passar. Fé que em menos de 10 anos passa...

O lado bom ( e põe bom) á ver a pessoinha que eu venho educando transformar-se, buscar sua autonomia, seus próprios interesses e mesmo assim continuar levando na bagagem o que eu ensinei. E já avisei, aqui em casa só tem uma leoa chefe. No dia que ela reivindicar o posto, é dela. Junto vão as contas.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Estratégias para lidar com a rebeldia das crianças

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O dever de casa estava sendo feito, literalmente nas coxas:
- Senta na mesa para fazer o para casa., menino.
- E se eu não quiser?
Estamos tendo esses rompantes de rebeldia de uns tempo pra cá:
- Eu te chamo de principezinho da mamãe no meio do pátio da escola.
- Estou indo, estou indo

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

A agradável


É um pouquinho a cada dia e quando a gente dá conta, os bebês viram pessoas singulares que expressam, cada vez mais sua individualidade e o saudável desejo de autonomia.

Bebel estava reclamando e eu, acostumada com a amável menininha que eu estou acostumada:
- E quem disse que você está sendo agradável com esse comportamento?
Ela, sem titubear:
-  E quem disse que eu quero ser agradável?

E quem disse que eu consegui não rir?

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

O filho da mãe


1

João não é pedir as coisas, mas quando pede é sério. Foi assim com a bicicleta. Não deu para ser no Natal, mas no aniversário ele ganhou a sua bicicleta de grandinho. E eu ganhei um parceiro para dar minhas voltinhas de bicicleta de final da tarde.

Demorou mas acabou acontecendo: aquele tombo que vai menino para um lado e bicicleta pro outro. Eu estava logo atrás e quase enfartei. Ele ralou todo, levantou, viu se a bicicleta também tinha machucado e meio mancando virou para mim:
- Não vai dar pra continuar andando de bicicleta, mas dá pra ir até o carro.
Eu, coração na boca, ainda pensei em chamar o SAMU, o socorro aéreo, mas ele olhou com cara de "normal, mamãe. Não faça drama". Igual eu ensinei. Mas não precisava levar tão a sério.





sábado, 28 de julho de 2018

Pirlimpimpim

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Um dia, a criança começa a desconfiar que leis científicas regem o universo e que não existe nada de papai noel, coelhinho da páscoa, fada do dente. Quantos aos filhos, passou um tempo (curto demais para o meu gosto)  e eles entraram em outra fase. A realidade da fantasia vira coisa de bebês, bom são os games, youtubers e outros assuntos em que sou alienígena.


Recebi a visita de um grupo de meninas de 6 anos, todas irmãs mais velhas. Sabiam o que significava crescer e os grandes poderes e responsabilidades que isso traz. Quando elas chegaram, no alto do corrimão escada estavam os googlos e eu avisei:
- Cada hora eles estão olhando para um lugar.
Elas desdenharam e entraram com pressa para ver as novidades.
Aí mais tarde uma lembrou:
- Os googlos...
e correram para ver se eles tinham mudado de lugar. E tinham. A maiorzinha foi logo ponderando:
- É óbvio que ela mudou eles de lugar quando a gente não estava olhando.
Desafiei:
- Então vcs colocam eles em um lugar e ficam  de olho para ver se eles  mudam ou não.
Desafio aceito. Mas a manhã era longa e cheia de coisas interessantes, daí que quando elas lembravam,os googlos já tinham mudado de lugar.

Quando as famílias chegaram, o primeiro assunto foram os googlos que passeavam pela casa. Há que crescer, mas sem perder a ternura jamais.