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quarta-feira, 12 de junho de 2019

A matemática dos pragmáticos

Os dois problematizando o para-casa.

Filho 1:
- Olha só a pergunta: O menino tem 530 figurinhas. Comprou mais 280.  Maior acumulador

Filho 2:
- Olha aqui. O desse problema aqui comprou um suco de $20. Mamãe nunca ia deixar.

Hora do almoço

Bebel que puxou o assunto:
- Mamãe, porque que a gente não tem uma conversa normal na hora do almoço?
Estranhei:
- A gente sempre tem conversa normal, uai
-Tem nada, na casa dos meus colegas as pessoas conversam sobre a escola, sobre o trabalho
- A gente também.
-  A gente não.
Nisso os dois concordavam, que o nosso assunto era outro. Bebel continuou:
- A gente fala de filosofia, política, da luta de classes, de como destruir o patriarcado.
- E de mais comida. completou João
Pois é.

domingo, 21 de abril de 2019

O rebelde e a bolha



Era um sábado de sol e estava prestes a começar um teatro infantil no parque municipal. As cadeiras ainda estavam vazias e a hora de começar a peça estava chegando. Foi quando eu vi a Bolha. Os dentro da bolha era o grupo a que eu pertencia,  pessoas que foram no parque assistir a peça e os organizadores do evento. Ocupávamos as cadeiras, tranquilos, brancos e sorridentes. Os fora da bolha eram as famílias que foram no parque passear e deram com o evento. Escutavam o convite, iam lá para ver mas passavam direto orientando as crianças para não irem, que devia pagar, que ali não era o lugar deles. 

Várias famílias pobres, pretas e pardas passaram e não entraram, mesmo as cadeiras estando vazias, mesmo as crianças pedindo, mesmo convidadas pela caixa de som. Repelidas pela Bolha, antiga e invisível.

Mas o mendigo não. Maltrapilho, nenhum dente na boca, cheiro peculiar, a cara era mistura de cachaça, transtorno mental e criança que vai no circo. Bateu palma, riu, recebeu bandeirinha e torceu para a Chuva, um dos pretendente da princesa, por quem ela era apaixonada.