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quarta-feira, 23 de maio de 2012

Criança Índigo

Para meu horror, Bebel falou que não queria ir mais na escola. Perguntei por que e ela falou que era por causa de dois colegas chatos. Na minha cabeça,  passaram os termos bullying, traumas irreparáveis, essas coisas. Continuei a conversa e ela contou o que "os sapecos" faziam. O problema não era com ela, mas com a turma inteira, professoras inclusive. Perguntei se ela queria que eu conversasse com a professora, com a coordenadora, com a presidente, com os colegas. Ela me surpreendeu com a resposta: "Não precisa falar com a professora, quando eles fizerem coisas que eu não gosto, vou falar com ela." Falei que ia conversar com a supervisora pedagógica e ficamos assim.

domingo, 20 de maio de 2012

O dia da festa

- Mamãe, quando é meu aniversário?
Peguei o calendário e mostrei, marcando com um círculo.
- E quando vai ser a comemoração?

quinta-feira, 3 de maio de 2012

O mico da mãe

Até então, toda vez que cumpríamos uma tarefa com sucesso: trocar de roupa, entrar no carro, arrumar uma bagunça, fazíamos o "super-queridos". Os três juntávamos a mão aberta, a mão fechada e cada um falava: Super-joão!, Super-bebel!, super-mamãe! e juntos: super-queridos! E morríamos de rir.

Hoje foi diferente. Como tinha uma pequena platéia, Bebel não quis fazer o super-queridos  me olhou com uma cara:  "não me faz pagar esse mico, mamãe." Ri e não insisti porque sei que é dureza lidar com a tendência das mães de fazer os filhos passarem vergonha.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Dia das Mães

Queridos filhos,

Depois que vocês nasceram, eu ganhei um presente: sentido. Minha mãe falava que certas coisas eu só saberia depois que virasse mãe e ela estava certa. É tudo de bom  ver os dois crescendo, aprendendo, ganhar seus beijos e abraços. Vocês me deram a infância de volta, me re-ensinam coisas que eu tinha esquecido. Pular para sentir os pés fora do chão, correr porque somos feitos para o movimento, andar sem pisar nas linhas da calçada, imaginar outros mundos diferentes, desenhar deitado no chão, sem pressa e rascunho, para expressar o que está dentro. Comer o que é gostoso e cuspir o ruim, assistir desenho animado sem culpa nenhuma, brincar de boneca, andar de velotrol.... Espero que mesmo quando virarem adultos, guardem a criança dentro de vocês. 

Hoje eu sou grande e tenho obrigações. Tenho números que me identificam e preciso trabalhar para viver. Preparem-se para o trabalho, pois dá liberdade. Eu estarei do ajudando no que  vocês precisarem. De livre e espontânea vontade. Nem tão altruísta assim pois vocês me enchem de orgulho e vaidade.

Vocês me deram uma vida bem mais interessante.

Mamãe

O nome da mãe

Ontem pus todo mundo para dormir cedo. João, inconformado, me chamou: mamãe! milhares de vezes . Já tinha contado história, dado mamadeira, boa noite e falado que não adiantava me chamar mais  Bravo, ele  insistiu e mais bravo ainda gritou do quarto:
- Roberta, me tira da cama.
Impossível não achar graça.

Submáaaaaaxima

Fui para a aula de spinning pois foi a única que coube no meu horário. O meu susto foi quando a professora deu um sprint e a mulherada começou a gritar orgasticamente:  submáaaaaaximma, ou seja, tinham atingido 85% da frequencia cardíaca máxima. Primeiro fiquei com vergonha alheia. Pensando bem, realmente dá um arrepio, mas daí para comunicar a vizinhança inteira.... Depois entrei no clima, cada tribo tem suas manias. Mas que é peculiar, é.

A criança e a rua

Passamos o feriadão em Diamantina onde usufruímos, mais uma vez, da hospitalidade dos Guedes. A casa fica num beco sem saída.. Bebel e João juntaram-se às inúmeras crianças Guedes e tiveram uma experiência inédita: brincar na rua. Eu, urbanóide,  estou acostumada a deixa-los em ambiente vigiados por, pelo menos,  uma camera e custei a relaxar. Mas não é que eles sobrevivem? É só delimitar a área: pode daqui até aqui e deixar rolar. Eles brincam, correm, riem e até brigam e choram, mas tudo se resolve entre eles. Consegui sentar, ler e conversar com adultos.

Confirmei   que ambiente controlado demais é igual assepsia exagerada, dificulta o desenvolvimento dos anticorpos necessários para um desenvolvimento saudável.

sábado, 21 de abril de 2012

O Aquathlon e eu

A primeira vez que ouvi falar do aquathlon eu estava grávida da Bebel. Trata-se de uma prova de 5 km de corrida e 75o m de natação. Por uma razão que a razão desconhece resolvi que iria participar todos os anos enquanto tivesse saúde para isso. E é o que acontece, desde então, salvo quando grávida.

Hoje foi dia. Infelizmente, as crianças não puderam estar presentes, mas tirei fotos, pois não basta matar a cobra....Nos primeiros 500 metros, sol escaldante eu pensei (como sempre): "O que eu tô fazendo aqui?". Na primeira volta nas águas geladas da Laga dos Ingleses, senti caimbras e pensei de novo: "pra que eu estou pagando por isso mesmo?". Mas como tinha platéia, desisti de desistir. Esse ano, na minha categoria tinham 5 mulheres, o que praticamente inviabilizou uma medalha, exceto de participação, mas deixa pra lá. Terminei a prova batendo o meu recorde: 51 minutos.

Bebel e João, a mamãe faz isso só  para impressionar vocês.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Ciumeira

Não sou uma mãe ciumenta. Compartilho a filharada com pai, as muitas avós, tias, amiguinhos e nos momentos de desespero tenho a promoção; " Pegue um, leve dois". As avós agradecem por terem netos que dormem na casa delas desde sempre.

Acontece que quarta cheguei do trabalho tarde da noite e dei uma olhada na mochila das crianças. Para minha surpresa o dever da Bebel estava pronto, muito caprichado, cortado, colado e colorido. Quase supitei.. A babá, ótima, havia ajudado na tarefa. Pelo que conheço da minha filha, ela deve ter chegado em casa e não queria nem jantar antes de fazer o dever de casa. Pois é! Enciumei.
   

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Meninos e meninas

Se eu respondi a essa questão em prova na faculdade de psicologia, devo ter errado: "quando, em geral, crianças começam a perceber as diferenças de gênero, identificando-se com um e rejeitando aspectos do outro?:

Eu achava que era lá pros 3-4 anos, mas, pelo visto, é antes. Junto com a linguagem, já começam as identificações com o que é "de menino", e o que é "de menina". Sorte que eu tive um casal de filhos e eles sabem,  naturalmente, o que é ser, biologicamente, uma coisa ou outra. Mas tem muito mais. A menina gosta de rosa, bonecas, conversas, filhinhas com cabelos longos arrastando no chão. O menino gosta de carros, correr, subir, mexer de um lado para o outro. São crianças e brincam juntas, mas quanta diferença!...

Estávamos os 3  no shopping e rolou uma emergência na gestão de resíduos do João. Como no andar não havia vestiário da família (versão unissex  de banheiro infantil), entrei com João e tudo no banheiro feminino. Nunca, em tempo algum, eu ia imaginar que, aos 2 anos, ele iria se recusar: "è de menina, mamãe". Como era emergência nível 2, apelei para a autoridade materna: "Vai entrar sim. Vamos ver se não tem ninguem." Sorte que não tinha mesmo e o problema foi resolvido.

Eu sempre achei que trataria igual um filho e uma filha. Hoje sei que o tratamento é diferente. Bebel é minha lindinha, João é o meu tutuzão. Diria que metade do que determina as diferenças entre feminino e masculino é biológica (ou seja, vem de fábrica) , metade é cultural. Ruim deve ser quando biologia fala uma coisa e a cultura manda outra. Bom é que vivermos num tempo em que essas diferenças estão sendo mais aceitas.